acompanhe

Coragem é ir com medo.


Ao contrário do que muitos pensam, e eu também pensava, coragem não é não ter medo, coragem é exatamente o oposto. É, apesar do medo, prosseguir. Confiar, engajar, acionar. 
Somos condicionados a sermos inseguros, e a não confiarmos na dinâmica natural dos acontecimentos. Queremos ter controle, antecipar na tentativa de nos pouparmos da dor, inerente à vida. Também tememos ser julgados, e isso muito nos paralisa.
Eu sou essa pessoa, ainda. Mas quero ser outra, e a cada dia exercito a coragem de mudar. Com todo medo decorrente. 
Eu ainda me sinto insegura quando exponho minha vulnerabilidade, ao falar do meu processo de adoecimento e cura, de no que me baseio para ter forças para reagir e buscar alternativas para transmutar dor em energia, na intenção de que isso possa iluminar outros caminhos também. Tem momentos em que parece pouco, por vezes uma voz sugere que eu fique mais recolhida não só para poder elaborar melhor e me restabelecer, mas por insegurança. Aquela persona extremamente crítica que nos constitui e nos boicota, nos convencendo de que não somos bons o suficiente nem temos autoridade que justifique algumas de nossas manifestações. 
A coragem se faz necessária não só para enfrentarmos adversidades do mundo externo ou de fenômenos decorrentes da relação com ele, doenças, desafios ou tragédias, a coragem também se faz necessária para lidarmos com os nossos mais diversos e peculiares elementos constituintes, nossa psique, nossa complexidade. As batalhas que travamos dia a dia sem sair de casa, e das quais não podemos escapar. Ou melhor, não devemos escapar, pois são as mais gloriosas e de onde vem as mais significativas vitórias e avanços de território.
Que a gente não se iluda acreditando que um dia tudo vai ser super favorável e que só então é que seremos plenamente felizes. Que a gente não morra esperando, por medo de arriscar. Que a gente conquiste a coragem de acreditar que é na busca que está a felicidade, e encontrar beleza onde menos se espera: na incompletude.
Eu escrevo, falo, danço, sinto e sou tal como posso, e disso me orgulho cada vez mais. Toda noite eu declaro paz comigo mesma quando declamo "eu me amo e me aceito exatamente como sou".