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Força.


Faz uns dias que venho me sentindo consideravelmente cansada, e o interessante é que tenho olhado pra isso com curiosidade e percebido que não se trata exatamente de um cansaço por conta de um esforço físico pontual, mas sim um indício de que alguns movimentos internos expressivos podem estar acontecendo, dos quais sei pouco, pois ainda inconscientes. Como que um alerta de que é preciso diminuir a velocidade e investigar, me decifrar, na tentativa de entender essas oscilações. 

Comecei a refletir sobre possibilidades, conversar com pessoas nas quais confio, e também exercitar um olhar mais compassivo, respeitando o ritmo diferente que se instaurou meio que contrário à minha vontade. E foi aí que algumas coisas começaram a vir à tona como hipóteses, por exemplo eu me lembrar de que já estou provavelmente vivendo meu inferno astral, pois faço aniversário em janeiro. Farei 35 anos, acho uma idade linda, mas é surpreendente ao mesmo tempo, pois tá passando tão rápido (vida, fica vai ter bolo).
Outro fator importante, percebi que nessa semana fez três anos do diagnóstico de câncer de mama. Foi de um sofrimento extremo, uma dor que eu nunca tinha experimentado, que marcou minha alma irreparavelmente. 
E também essa transição de um ano para outro mexe comigo, por que fazemos um balanço do que idealizávamos e o que de fato aconteceu, e já projetamos o próximo, o que nos causa expectativa, frustração, empolgação, decepção, euforia, esperança, enfim, um mix de sentimentos controversos.
Bem, é tudo junto, e é incessante. A gente tenta não afogar no rio que corre na gente, que às vezes esvai mais pacífico, às vezes tem correnteza, que fica raso tem épocas, ou enche e chega à transbordar. Aquele choro que lava, sabe? Aquele choro corpo, choro sem muito por que, choro pra diluir dor. Já já essa queda d'água vem, eu sinto. E pode vir, por que eu confio nesse fluxo, mesmo que eu não o compreenda.
Embora a gente mude a todo segundo, tem momentos em que damos uns saltos mais representativos e outras formas de ser-estar se fazem necessárias. E como não há reformulação sem alguma ruptura, pode ser que doa mesmo. Enfim, morri mas passo bem.
E você, tá boa??!