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Intensidade.


Às vezes eu queria ter essa passividade de alguns de vocês. Quem sabe assim meu coração batesse mais devagar, por que no ritmo que ele bate às vezes eu canso. 
Eu quero tudo, tanto. Sempre. Eu já era alerta, hoje sou aflita. Talvez por que vivi a sensação de que podia morrer. No meu caso, foi um câncer. Você já se viu numa situação em que pensou "eu realmente posso vir a morrer"? Todos sabemos que morreremos, mas quase morrer é diferente.
Numa dessas noites de insônia e catarse escrevi: se você viveu a experiência de ver a morte te convidando pra dançar, você nunca mais será a mesma. Você não espera a próxima, você sente que essa é sua última valsa. Você entra na pista sempre pra dar show. Meio que isso.
Tô nessa por que acabei de voltar da casa da minha amiga, que fez aniversário e disse às 21h30 que queria ter apagado umas velas de 33 anos, que só isso tava faltando. Eu parei tudo e saí, fui comprar as velas, o bolo, fui levar pra ela. Se estava ao meu alcance, por que não? 
Ela ficou feliz, e eu mais ainda. Eu fui por mim também, pra exercitar minha humanidade, por que eu não quero ser mais uma entre tantos que não move um centímetro pra ver o outro contente, se sentindo importante e querido. Gestos simples, mas que preenchem. Hoje as pessoas se doam tão pouco, migalhas de afeto. Que dó de vocês. De nós. 
Estamos esperando o que pra ter o amor e a empatia como prioridade total?! A médica Ana Cláudia Quintana (amo), especializada em cuidados paliativos para pacientes terminais, num de seus vídeos propôs o exercício de pensarmos qual o tamanho dos problemas que hoje temos diante da hipótese de morrermos amanhã. Se você souber que morrerá, o que é prioridade continuará sendo? Pense. Sinta.
A gente de verdade não tem mais nada além da gente, todo o resto é secundário. Se você tá aí anestesiado, desperte, que amor é abundante, a fonte não seca, então dá muito, dá tudo, dá de forma inconsequente, que brota mais. 
Não sai da minha cabeça o trecho "eu gosto dos que tem fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem". Cansada de vocês que dissimulam, tentando me fazer achar que não se importam, mas no fundo estão é morrendo de medo de amar.