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Potência inata.


É outubro, e tem o Outubro Rosa, mas também é mês das crianças e fiquei especialmente comovida quando, essa semana, pela primeira vez entrei no hospital infantil de Barretos. Essa é uma unidade separada do hospital de câncer adulto, e eu nunca tinha conseguido passar da recepção, das vezes que tentei visitar. Foi por que estava lotada a radiologia que transferiram as tomografias de alguns de nós para serem feitas no infantil. E foi emocionante estar um pouquinho alí dentro.
Cada paciente que vi, mesmo que de longe, fez o olho marejar e o coração bater apertado. Que crianças lindas, na sua pulsão de vida e alegria genuína, que força a desses pais e familiares, e também de todos esses profissionais. Que missão terão essas pessoas, se podemos acreditar nisso... pois são realidades tão complexas e intensas, com a presença constante da dor, medo, insegurança, imprevisibilidade, mas apostando nas vitórias cotidianas, na persistência, entrega, compromisso, comprometimento, dedicação, generosidade, esperança, fé.
Eu já estava deitada no aparelho quando pediram que eu saísse e aguardasse mais um pouco, pra que antes de mim fizessem o exame numa paciente que já estava preparada. Nesse momento então entraram na sala com uma maca onde repousava uma bebê sedada.
Eu não sei o que senti, exatamente. Eu tive vontade de chorar, não sei se só por ela ou se por todos nós, mas se sentou ao meu lado na espera uma moça que eu entendi que era a mãe da menina. E, diante dela, eu não me senti nesse direito, por que eu nem posso imaginar o que é a dor dela perto dessa minha.
Mas o que eu sei é que essa experiência que eu tenho passado enquanto paciente oncológica me apresentou um mundo novo de vivências e contextos onde se experimenta de verdade o que é a complexidade e a impermanência inerentes à vida, bem como a potência inata manifestada em cada um de nós desde tão jovens. E como eu sou grata por esse despertar.